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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Antes só do que mal-acompanhado? Certeza?

Sempre fui avesso ao ditado "antes só que mal-acompanhado", e explico: ou você pode ser a pessoa que resolveu andar só pra evitar más companhias ou você é a má companhia que resolveram evitar.
Na verdade, sempre fui avesso à solidão.
Com isso, claro, não quero dizer que dá pra andar com todos, sempre, sem conflitos. A Vida se encarrega de afinar as afinidades (desculpem a redundância ).
Algumas pessoas o tempo leva, outras o tempo traz.
Costumo brincar que ter "1 milhão de amigos" só funciona com a MPB, porque na vida real a coisa é bem diferente.
Mas, afinal: quem são as boas companhias? Quem são aquelas pessoas que valem a pena abrir concessões de quem somos para tê-las por perto?
Em minha pobre experiência de vida, enumerei algumas características,  não exaustivas, de pessoas que dão um significado nobre ao nosso viver. Ei-las:

1- Boas companhias são encorajadoras:
Já sentiu alguma vez que a simples presença da pessoa faz seu dia melhor? Pois é. As boas companhias extraem o melhor de quem somos, nos encorajando. Isso está longe de concordar com nossos devaneios, mas as boas companhias sabem como apontar um norte sensato, sem nos diminuir ou alimentar delírios. Elas encorajam, estendem a mão. Nos ensinam que vale a pena perseverar.

2- Boas companhias oferecem mais o ouvido que a boca:
Pessoas que sabem ouvir, essas são raras! E esse "ouvir" precisa ser produtivo, tanto quanto o falar. Não é um simples escutar, é entender a história por trás das palavras. Analisar o todo. Não formar juízo de valores como se isso fosse fundamental. Boas companhias sabem quando falar e quando calar. Não que sempre acertarão, mas se esforçam pela manutenção do relacionamento.

3- Boas companhias cultivam a empatia:
A pior coisa que tem é andar com pessoas que não sabem se colocar no lugar da outra. As experiências são diferentes e isso precisa ser levado em conta. Os tópicos aqui se misturam, e pra ter empatia é preciso saber ouvir. Ouvindo a gente penetra o universo do outro, e ouve além do que o (a) parceiro (a) quer dizer.

4- Boas companhias mostram nossos erros com respeito:
Sabe quando estamos na beira de um precipício e a próxima decisão será o passo rumo à tragédia? Então, as boas companhias quase sempre mostram isso, mas não de qualquer forma, humilhando, com arrogância. Fazem com elegância e eficácia. É lógico que aqui apenas exemplifico o ideal e que o dia a dia é mais complexo. Porém tudo é questão de exercício  e as boas companhias não têm preguiça de treinar. Elas respeita quem somos embora nem sempre concorde com o que fazemos.

5- Boas companhias não são pessoas do "tanto faz".
Azul ou vermelho? Tanto faz. Dia ou noite? O que for melhor pra você. Salgado ou doce? É melhor você decidir. Pessoas assim não acrescentam nada! Se for pra ouvir isso, eu nem perguntaria. As boas companhias quase sempre se envolvem, mostram interesse, interagem. Um "tanto faz" soa como omissão, não querer se comprometer. "Encimadomurismo" covarde.
Boas companhias costumam apresentar alternativas e justificá-las. A gente cresce, a relacão amadurece. Não precisamos sempre aceitar a opinião,  mas nos sentimos importantes com atitudes assim.

6- Boas companhias separam pessoas dos problemas:
É horrível e desgastante ouvirmos: "tal coisa aconteceu (problema), porque você é assim (pessoa)!". Não é tão simples assim essa lógica binária preguiçosa. Agimos por uma série de fatores, biológicos e culturais, e a menos que tenhamos uma psicopatologia  (não é meu campo de estudo, não me atrevo a entrar nesse universo), e esse transtorno cause o mal no próximo, involuntariamente,  não acredito que tomemos decisões deliberadas para prejudicar relacionamentos. Então, esperamos tudo das companhias, menos sentenças que diminuem quem somos. Isso só piora o problema, e muda o foco da discussão. O problema em si fica secundário, gerando outros e outros. As boas companhias têm uma certa cautela nisso.

Por último, não menos importante:

7- Boas companhias nos amam apesar de nós:
Boas companhias são teimosas! Tentam com a gente até não dar mais, e depois tentam de novo. Claro que precisam de uma contrapartida,  porque relacões pressupõe mão dupla, mas as boas companhias até nisso fazem com que enxerguemos que estamos sendo falhos. Elas, com amor, demonstram que nosso amor precisa de amadurecimento.
Um provérbio chinês resume: "Me ame quando eu menos merecer e mais precisar".

A lista é grande,  aqui elenquei apenas o que veio ao coração.

Existe um momento da despedida, do rompimento, do término.
Não temos mais contato com nosso melhor amigo do 5° ano do fundamental, nem com a amiga do nosso primeiro trabalho. Questões várias dificultam o contato íntimo (geográfica,  temporal). Não justifica certos distanciamentos, apenas digo que eles existem.  Bom seria se conseguíssemos manter todo mundo perto. Se formos boas companhias, lutaremos por isso. E saberemos a hora de largar o leme.
Por via das dúvidas, amemos.
Cultivemos em nós aquilo que esperamos do próximo.
Ah, é um lindo texto, linda teoria!
Quem disse que é pra ser fácil?
Dificuldade é combustível dos corações para as boas companhias. Quem vive relacionamentos no raso é que buscam facilidade.

Preciso ser uma boa companhia, porque antes bem-acompanhado que só.

Até mais.